História curta

A breve descrição vai aqui.

Teste de Campanha

por Marcel Barboza

  • R$12.500,00

    Meta de arrecadação
  • R$200,00

    Fundos arrecadados
  • 0

    Dias restantes
  • Goal and Date

    Método de encerramento da campanha
Percentual arrecadado :
1.60%
O valor mínimo é R$ O valor máximo é R$ Put a valid number
R$

Marcel Barboza

1 Campanhas | 0 Campanhas favoritas

See full bio

História da campanha

É grande o desafio de escrever uma Apresentação para este livro. Trata-se de um tomo gordo, plural, profundo. Poderia adotar um sem-número de estratégias para dá-lo a conhecer ao leitor. A mais óbvia delas, talvez, seria indicar a alucinante variedade de temas que Carlos Nougué aborda aqui: da lógica à realeza de Cristo, passando pela biologia darwiniana, pelo liberal-conservadorismo, pelo Islã, pelo tradicionalismo, pelo milenarismo, etc. Santo Agostinho, Maurras, Biden, Lula, o Pe. Gregory Hesse, o assassino serial Lázaro, o Cardeal Caetano, Bolsonaro e Roberto de Mattei são só algumas das personagens que encontraremos nestas páginas fumegantes, honestas, impregnadas de amor à verdade. Mas essa tática também seria a mais enfadonha. Prefiro, antes, destacar, digamos, o “exemplo” que podemos colher desta compilação de textos de confronto – ou de batalha (“polêmica” seria um termo por demais rasteiro para designá-los).

Começo pelo mais claro: um intelectual fala, essencialmente, em primeira pessoa; em nome próprio. Não digo, veja bem, que o intelectual deva pretender-se “inclassificável”. Há algo de adolescente na imagem popular do “maverick intelectual”: do pensador irrotulável, singular, culturalmente cosmopolita, que pretende reunir em si – como em uma síntese ou culminação? – várias tradições ou correntes de pensamento díspares. Não. Nougué é católico, tomista e tradicionalista.  Tem um referencial claro e expresso. O que digo é que o intelectual verdadeiro não fala em nome de uma tradição. Ele fala em nome próprio. Não é o representante de um grupo. Sua autoridade vem do que diz e de sua pessoa; não é a autoridade de uma coletividade. Entendê-lo, e assumi-lo, é importante para a maturação de quem estuda, porque é só assim que o intelectual se percebe como o responsável pelo que diz, em vez de ceder à tentação de compartilhar ou projetar suas culpas.

O sectarismo é um perigo muito atual. No Brasil, floresceu nas últimas décadas um meio cultural liberal-conservador, de que muitos católicos se aproximaram. Trata-se de um conjunto ainda incipiente e desarticulado de iniciativas que pretendem contrapor-se à hegemonia cultural da esquerda em nosso país. O leitor encontrará neste volume vários textos de crítica a certas ideias deste meio cultural (vide o essencial opúsculo “A infernal gangorra direita/esquerda”). Aqui, limito-me a observar que uma característica deste meio é a reatividade; o “ele não”, paradoxalmente. Daí o desconcerto das iniciativas, a dispersão dos empreendimentos; porque o que une esses esforços é meramente a recusa a uma opção política (certamente merecedora das críticas que lhe são dirigidas). E, neste contexto, em que a solidão é inevitável e dura, é grande a sedução do sectarismo. Formam-se bolhas, grupelhos, e cai-se na lógica maniqueísta que contrapõe os “de dentro” e os “de fora”. A salvação virá do “meu” grupo, e o que não vem do “meu” grupo é necessariamente mau. Podam-se esforços de terceiros, que não seguem exatamente a nossa cartilha, e evita-se, por outro lado, o esforço de autocrítica. Neste sentido, este livro é um antídoto contra o sectarismo. Dissemos acima que nosso autor é católico, tomista e tradicionalista. Pois bem: os problemas do meio católico, tomista e tradicionalista são, talvez, os mais debatidos nesta obra. O que significa que a batalha que o autor empreende nestas páginas é também, e sobretudo, interior. Não é apenas uma denúncia “dos outros”; é um esforço de autopurgação, que faríamos bem em emular.

Uma segunda lição que este livro, como um todo, nos ensina é que a vida de estudos é necessariamente pessoal; é um caminho muito íntimo e não perfeitamente cartografável – ou melhor, redutível a uma “lista de regrinhas”. Há muito de imponderável na formação de um intelectual. Fala-se bastante em educação clássica hoje em dia no Brasil. Destaca-se a importância do latim, das artes liberais, da leitura dos clássicos, etc. Tudo isso é muito bom, claro (acabo de falar mal do sectarismo; seria fantástico praticá-lo justo no parágrafo seguinte [seria também sintomático e, aliás, uma jocosa confirmação do meu ponto]). Mas há o risco de reduzir a busca da “alta cultura” a uma tabelinha de deveres a ser cumpridos pelo estudante; a um rígido “passo-a-passo” para a sabedoria. É evidente: a dispersão intelectual é má. Santo Tomás contrapunha a estudiosidade à vã curiosidade. Ler desordenada e aleatoriamente é desbastar as próprias energias; é desperdiçá-las em um deambular infinito e superficial, em vez de empregá-las no esforço de cavar fundo em busca de um filão de ouro. Um dos cavalos de batalha de Carlos Nougué é justamente a recuperação da devida “ordem das disciplinas”, pelo aperfeiçoamento do esquema clássico das artes liberais. Há, sim, uma ordem que seguir na vida intelectual. Mas Nougué também destaca, juntamente com o Padre Álvaro Calderón, que as várias disciplinas da vida intelectual devem ser percorridas de forma “helicoidal” ou “espiral”. Há um “ir e vir” entre as várias áreas de estudo, que confere vivacidade e plasticidade à leitura; que faz da vida de estudos justamente uma vida.

A palavra “ordem” é decisiva. O que é necessário na vida de estudos é exatamente ordem, não regrinhas rígidas – coisa radicalmente diferente. Estas últimas podem até ser úteis para muitos e em um primeiro momento, mas em última análise a vida de estudos deve preservar o incalculável; abrir espaço para o acaso e para a Providência. Quantas vezes não nos cai na mão, no momento preciso, um livro que responde à questão mesma que nos ocupa presentemente? Se, porém, tenho a obrigação de seguir uma listinha imutável de leituras, posso recusar a graça recebida. Que grande pena. A vida de estudos é guiada por certas perguntas – universais, por um lado, mas muito pessoais, por outro – que nossa própria caminhada nos sugere. É preciso tê-las sempre em mente, enquanto percorremos a ordem das disciplinas. Ou seja, é preciso não transformar essa mesma ordem em um rígido “manual” para a sabedoria. É pouco sábio fazê-lo. É transformar em um trabalho pesado e molesto uma jornada que pode, e deve, ser muito mais leve e divertida; mais arriscada, mais interessante, mais imprevisível.

Deveremos sempre voltar àquele conjunto de disciplinas. A vida toda; de novo e de novo. Será sempre preciso, por exemplo, revisitar a gramática e a lógica, para temperar nossa linguagem e nossa razão, e então mergulhar outra vez nas várias ciências práticas e especulativas para as quais aquelas disciplinas justamente nos preparam – em um círculo virtuoso e permanente. Santo Tomás dizia que não devemos lançar-nos de chofre no oceano do conhecimento, mas acessá-lo por córregos e riachos. Talvez possamos acrescentar que cada um de nós deverá encontrar o seu próprio riacho: um conjunto, digamos, “biográfico” de problemas filosóficos que estudar. Neste livro, o leitor verá bem mais que embates e controvérsias: verá o pedaço de uma biografia; uma inteligência lidando com questões que lhe são, pessoalmente, muito caras – e também uma inteligência atenta ao seu entorno, aos desafios que às vezes as circunstâncias imprevistas da vida lhe apresentam.

Por fim, destaco uma terceira lição que podemos extrair deste livro: o filósofo busca o todo. Ou por outra: ele nunca se esquece do todo. Ele especializa-se, sem dúvida, porque tem sempre em mira as “suas” questões, como venho de dizer. Mas ele não perde de vista a ordem geral do saber. E, quanto a isso, o filósofo tomista está em uma posição privilegiada. Sertillanges falava do tomismo justamente como o “quadro ideal do saber” ou ainda como o “quadro da ciência comparada”: aquela doutrina perene e elástica dentro da qual é sempre possível encaixar novos insights e novas descobertas, e na qual os conhecimentos das várias ciências e artes particulares ganham inteligibilidade porque ela é encimada por uma visão metafísica da estrutura inteira da realidade. No coração do tomismo, há uma metafísica original e imorredoura (que, aliás, Nougué nos apresenta, aqui, no monumental opúsculo “O tomismo do Cardeal Caetano”). O filósofo tomista é essencialmente alguém que, ao debruçar-se sobre as várias ciências e artes particulares, não perde de vista o quadro metafísico que lhes dá um lugar e inteligibilidade. Este livro ilustra este ponto muito bem, pela universalidade de seus temas e pela cerrada unidade de sua doutrina.

Há muitas outras lições por recolher das páginas desta obra. Mas não quero estragar o prazer do leitor de fazê-lo por conta própria. Nem transformar o dito acima em uma listinha de lições engessadas por seguir rígida e estreitamente. Encerro, porém, indicando uma prova de quão frutuoso, pedagogicamente, é o exemplo que Nougué nos dá nestas páginas. No final da obra, Nougué incluiu dois opúsculos saídos da pena de dois jovens tomistas, alunos seus: Pedro Valeriano e Urlan Salgado de Barros. São textos igualmente corajosos e atuais, que dão testemunho de que há uma excelente safra de novos tomistas aparecendo no Brasil. O exemplo arrasta. Tenho certeza de que o leitor, além de aprender um bocado, vai sentir-se inspirado pelo exemplo de “franco falar” – a célebre parrhesía dos antigos – que esta obra nos apresenta.

Daniel C. Scherer, autor dos livros Entre Capelas e TabernasMetafísica da Revolução: Pressupostos do Liberalismo e A Raiz Antitomista da Modernidade Filosófica.

Formato: 16X23 (brochura) com orelhas
Número de páginas: 512
O valor total do projeto será utilizado para os seguintes fins:
– Revisão
– Edição
– Diagramação
– Capa
– Produção gráfica e eletrônica
– ISBN, Ficha Catalográfica e outros
– Empacotamento
– Envio pelos Correios
AVISO 1: Após o encerramento da campanha e a entrega aos colaboradores (prevista para a partir do fim de setembro de 2023), novos exemplares serão colocados à venda, mas com preços acima dos praticados na campanha e com frete por conta do comprador. Por se tratar de um livro volumoso, o frete economizado durante a campanha é de pelo menos 20 reais.
AVISO 2: Os primeiros colaboradores receberão brindes (marcador de página, ímã de geladeira, cupons de desconto, etc.).

ATENÇÃO: A estimativa para o início dos envios dos livros está prevista para a partir do fim do mês de setembro de 2023. Faremos todo o possível para que seja possível antecipar esse prazo.

Recompensas

R$100,00

Colaborando com R$100,00 você recebe em sua casa a versão impressa (com prazo de envio estimado para setembro de 2023) do livro No Fragor da Batalha, de Carlos Nougué. Frete incluso.

novembro, 2024

Entrega estimada
0 apoiadores

R$200,00

Colaborando com R$200,00 você recebe em sua casa duas versões impressas (com prazo de envio estimado para setembro de 2023) do livro No Fragor da Batalha, de Carlos Nougué. Frete incluso.

maio, 2024

Entrega estimada
1 apoiadores

Baseado em 0 avaliações

0.00 Média
0%
0%
0%
0%
0%
Seja o primeiro a avaliar “Teste de Campanha”

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Avaliações

Não há avaliações ainda.